[...] E se já não sinto os teus sinais pode ser da vida acostumar. Será, Morena?
Eu te esperei a vida inteira, entende? Quando eu te escondo o jogo, quando eu te trato mal… É tudo medo. É tudo medo do amor.”
Cazuza.
Fica, eu digo. Me ajuda a matar o tempo até a luz voltar. Fica e come da minha comida. Pelo menos até a chuva acabar de cair. Deu agora na televisão que a cidade está debaixo d’água, mandaram ninguém se mexer. Consegue? Tenta, vai. Empresto uma toalha, uma camiseta G, um par de meias e a minha boca quente. Você já bateu recorde de permanência, de toda maneira. Vamos lá, fica, na minha geladeira tem o resto de um frango de padaria, a gente abre um vinho bom. Juro fazer rolinhos na sua franja até você pegar no sono. Aí você gasta um de seus preciosos sins e deixa pra depois mais um daqueles seus adeus, que, aliás, tem de sobra na sua bolsa de pano, sempre à mão, para casos de emergência. E eu me pergunto: você vai ficar porque está chovendo, ou está chovendo porque você vai ficar? Tanto faz.”
Gabito Nunes

Eu te darei o céu meu bem e o meu amor também.

Mas, se você quiser, eu te espero. Se você me pedir, eu fico. Se você disser “vem”, eu vou. Eu volto. Deixo pra trás todo meu passado, todos os meus erros e atrasos cometidos até agora. Deixo para trás todos os meus medos e incertezas, todos os meus traumas e inseguranças, todas as minhas fraquezas e insatisfações. Deixo pra trás tudo que sou e fui. E tudo que deixei de ser. E me refaço com mais espaço para guardar você e toda a sua bagagem dentro de mim. Deixo pra trás o peso que carrego nas costas e me preocupo apenas com o peso das batatas das tuas pernas sobre as minhas. Eu deixo tudo pra trás, baby, mas não te deixo. Eu perco tudo: o horário do ônibus, o embarque no avião e o caminho de volta. Mas, não te perco. Não me perco.”
Plenitude. 
A.,

Eu te amo como quem se atira no infinito, entre possibilidades de tragédia, portas fechadas e ligações perdidas. Você ama como quem estanca toda e qualquer dor num único gesto. Sobrevivo em você.

G.

Sou lésbica. Sim, gosto de garotas. E não é qualquer uma que passar na minha frente que irei me interessar. Não tenho um pinto entre as pernas que levanta toda vez que vejo uma peituda. Não ache que sou uma versão feita para fetiche masculino. Sou lésbica por que meu corpo se atrai por um do mesmo sexo. Sou homossexual por que prefiro mil vezes uma garota nos meus braços do que um menino abraçando-me. Não sigo os padrões da sociedade. Meu negócio é outro. Gosto de dar carinho a uma menina e sentir o cheiro adocicado de seu perfume. Amo essa coisa de ajudar com vestimenta. É maravilhoso ver que minha opinião bate exatamente com a da outra pessoa. E se tem uma coisa que me agrada ainda é mais é: Não ver nenhuma diferença entre o meu relacionamento e a de um casal hétero. O amor é intenso do mesmo jeito. Estou cansada das perguntas repetitivas, dos comentários estúpidos. Chega desse papo “ Isso é fase, irá passar”. Passar? É o caralho. Eu tenho certeza do que sou e para onde vou. Não temo minha sexualidade. Está escrito na minha testa: Vou me casar com uma mulher e vocês homofóbicos que se fodam.
Ser hétero ou não ser, eis a questão. Camila Mendes