[...] E se já não sinto os teus sinais pode ser da vida acostumar. Será, Morena?
Monólogo escrito

Tudo o que escrevo é o lixo do meu pensamento. O que sobra dele, é o que reciclo e crio verso ou prosa. Não sigo a risca as regras, pois não se pode perder a essência do pensamento, que é livre. Entende-se que meus escritos, nada mais é que uma conversa comigo mesma, tentativa vã de dizimar o caos mental. Não exponho para que me leiam, mas para que o desejo de expressão seja cumprido.

Nós nascemos assim, nisso: Nos hospitais que são tão caros, que são baratos para morrer; com advogados que cobram muito, é mais barato pleitear a culpa; num país onde as cadeias estão cheias e os hospícios estão fechados; num lugar onde as massas elevam idiotas em heróis ricos.”
Charles Bukowski.
Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera. Estranho è que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”
Caio Fernando Abreu.
Então vem

Porque sozinho eu não consigo
Flua de mim, lava o meu ego ferido
Deixe-me leve e leve minha dor
Faça do meu âmago algo bonito
Se meu grito é mudo, só contigo eu mudo
Então venha ao mundo,
Poesia.

Evocação, NAVE POÉTICA.

Sou um poeta. Um anarquista espiritual. Não sou um patriota. Sou amoral, sou artista.”
Charles Chaplin.